Pus o pé no canto direito.

O outro, o esquerdo, pus no esquerdo. A balança prometia dizer a porcentagem de gordura corporal e o quanto de água eu tinha. A balança prometeu dizer a porcentagem de gordura corporal e o quanto de água eu tinha a través de um choque. Não bem um choque, mas uma corrente elétrica.

Eu não queria saber nem se estava gordo ou se estava molhado. Eu queria que uma corrente elétrica correse através do meu corpo e sobreviver a isso. Eu queria sobreviver a uma corrente elétrica. Poderia falar isso para os meus netos e eles provevelmente me falariam: ’foda-se’.

Pus a minha altura na balança. É muito incômodo ter que colocar dados numa balança de farmácia quando o local para se apertar os botões fica no chão da balança. Não, eu não queria descalçar meus tênis. tenho vergonha dos meus pés. E não seria muito comum fazer isso. Já me sinto desconfortável em cima de uma balança em público. Pus minha idade, até que foi fácil. são só dois dígitos.

Não os três da minha altura. Não tenho mais de 10 metros, graças a deus, senão seriam 4 dígitos.

Não tenho mais de 100 anos, graças a deus, senão estaria morto

A balança se desconfigura.

Acontece.

Ponho todos os dados de novo. Agora falta o ‘OK’

- oi? com licença…

Sinto transpassar algo por todo meu corpo, da cabeça ao tórax, braços e pernas sentem. Até mesmo meu pênis. Mas foi rapidamente. Me viro.

Dizem que isso é paixão. Eu duvido.

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