Rogério não tinha mais que vinte anos. Talvez tivesse vinte e dois, mas acho que não. Mantinha um bigode ralo, porém longo, em seu rosto de quase vinte anos. Nunca havia raspado o buço, culpa de seu pai que sempre achou o garoto ainda muito criança para raspar.
O pai dizia que o pelo ficaria grosso e que o melhor mesmo era tentar evitar raspar o máximo que pudesse. Daí então, até hoje, Rogério evitava.
Claro que seus amigos não permitiam seu bigode e o enchiam de apelidos e ofensas que cada vez mais depreciavam o jovem. O mais comum era Porteiro.
Rogério hoje tentará mudar a sua vida. Ele andou lendo um bocado de livros de filosofia e resolveu que tem que dar um giro em sua vida. Ficou feliz por ainda ter seu bigode, poucos têm o poder da mudança ao alcance das suas mãos. Pegou sua gilete e raspou. Ficou diferente, sei lá. Ele ainda não sabe se ficou melhor ou não. Mas ele sente, realmente, que alguma coisa mudou dentro de si.
Talvez tenha perdido a sua personalidade. Mas não o seu apelido de porteiro.